Refatorando a Democracia: O Voto Em Perspectiva Para 2026
Olá, pessoal! Depois de algum tempo, apareço no Medium novamente para escrever um artigo. Trago um texto um pouco diferente desta vez, pois, em um ano tão importante, não poderíamos passar em branco. O foco agora é um projeto que desenvolvi para trazer uma visão resumida e didática das propostas de cada presidenciável.
Minha vontade inicial era estender essa análise para todos os níveis (deputados, senadores e governadores), mas, só para vocês terem uma ideia da magnitude, trago alguns dados. O consolidado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as Eleições Gerais de 2026 registra mais de 20 mil pedidos de candidaturas em todo o território nacional, sendo:
- Deputado Estadual: aproximadamente 11.090 candidatos para 1.035 vagas;
- Deputado Federal: aproximadamente 7.627 candidatos para 513 vagas;
- Deputado Distrital (DF): aproximadamente 420 candidatos para 24 vagas;
- Senador: aproximadamente 314 candidatos para 54 vagas;
- Governador: aproximadamente 198 candidatos para 27 vagas;
- Presidente: 13 candidatos para 1 vaga.
Deixo aqui o meu questionamento: será que todos esses milhares de candidatos estão realmente interessados no bem comum e em um país melhor? Ou buscam apenas o poder, o ganho fácil e a perpetuação do próprio sustento às custas do Estado? Para ilustrar essa dúvida, trago mais alguns números:
- Deputados Federais: Cada um dos 513 deputados custa, em média, entre R$ 2,5 milhões e R$ 3,2 milhões por ano. O salário mensal bruto gira em torno de R$ 46.366,00. Além disso, cada parlamentar tem direito a uma Verba de Gabinete superior a R$ 133.000,00 por mês (para pagar até 25 secretários) e à Cota Parlamentar, que varia conforme o estado de origem.
- Senadores: O custo individual de cada um dos 81 senadores é ainda maior devido à estrutura de seus gabinetes, que pode comportar até 50 assessores. Estima-se que o custo direto de um senador ultrapasse a marca dos R$ 24 milhões anuais.
- Deputados Estaduais: O custo varia conforme o estado, pois cada Assembleia Legislativa tem regras próprias para verbas indenizatórias. Constitucionalmente, o salário de um deputado estadual é fixado em até 75% da remuneração de um deputado federal (cerca de R$ 34.774,00 mensais). Contudo, somando-se os benefícios, a estrutura e as verbas de gabinete, estima-se que cada um dos 1.035 deputados custe, em média, de R$ 1,5 a R$ 2 milhões por ano aos cofres estaduais.
Enfim, precisamos de mudança. Como atuo na área de tecnologia e qualidade, achei que não haveria forma mais justa de tentar impactar o nosso futuro do que trazendo essa lente analítica para a política. Afinal, o nosso sistema atual simplesmente parou de escalar.
O Sistema Está Insustentável (e Precisa de Refatoração)
Na área de tecnologia, quando um sistema começa a apresentar falhas contínuas, lentidão e insatisfação dos usuários, nós sabemos que o problema raramente é apenas uma telinha mal feita. O problema costuma ser estrutural: a arquitetura falhou. Ao observar o cenário político e social brasileiro rumo às eleições de 2026, a sensação é muito parecida. O papel do Estado tem falhado em entregar o básico.
Hoje, basta olhar ao redor para perceber que a situação chegou a um ponto insustentável. O fechamento acelerado de empresas, o alto nível de endividamento esmagando as famílias brasileiras, aumento exponencial da criminalidade e a proliferação descontrolada das “bets” (casas de apostas) drenando a renda popular formam uma bomba-relógio. O “código-fonte” da nossa economia está em colapso.
Em 2026, teremos a responsabilidade de escolher presidentes, governadores, senadores e deputados. É um deploy completo em produção. E aqui, de forma estritamente apartidária, trago uma visão técnica que carrego comigo: sou radicalmente contra qualquer tipo de reeleição tanto em executivo, como legislativo. Manter a mesma gestão continuamente no poder é o equivalente a acumular “débito técnico” em um projeto. Em vez de pensar em soluções de longo prazo, o foco passa a ser o curto prazo. A oxigenação de ideias e a troca de lideranças são fundamentais para que as instituições não fiquem presas aos vícios de uma única equipe.
Critérios de Aceite: O Que Estamos Comparando
Se vamos trocar a gestão, precisamos de requisitos claros. Não dá para aceitar “histórias de usuário” (ou propostas políticas) vagas. Foi pensando nisso que decidi estruturar um projeto de análise das eleições, trazendo para a política a mesma clareza que exigimos em uma sprint de desenvolvimento.
Levantei as principais dores da população com base em pesquisas de mercado recentes e estruturei o comparativo em seis pilares essenciais:
- Economia e Responsabilidade Fiscal: Como o candidato planeja lidar com o custo de vida, a geração de empregos e a inflação? A gestão da dívida ditará a estabilidade do nosso país.
- Segurança Pública e Crime Organizado: O avanço das facções e milícias é um gargalo crítico. Precisamos avaliar propostas sobre inteligência policial e controle de fronteiras.
- Meio Ambiente e Eventos Climáticos Extremos: Secas no Norte e Centro-Oeste e enchentes no Sul nos mostraram que o clima não é mais pauta para o futuro, é urgência.
- Saúde Pública e o Futuro do SUS: Redução de filas de cirurgias e o subfinanciamento histórico do sistema.
- Educação Básica e Tecnológica: A revisão do Novo Ensino Médio e a expansão urgente do ensino técnico profissionalizante.
- Desigualdade e Programas Sociais: A manutenção de políticas públicas essenciais e o combate real à fome.
Para manter a isenção, selecionei apenas os candidatos que pontuam nas pesquisas oficiais e os organizei em rigorosa ordem alfabética: Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Lula, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Todos os dados foram extraídos diretamente de seus Planos de Governo oficiais protocolados.
O Projeto: Voto em Perspectiva e o Uso de IA

Home Page do Voto em Perspectiva
Ler centenas de páginas de planos de governo em PDF não é para qualquer um. Para resolver isso, criei o projeto Voto em Perspectiva. A ideia foi construir uma Single Page Application (SPA) onde qualquer pessoa possa entrar e entender de forma rápida o que cada candidato propõe.
Do lado técnico, a aplicação foi desenvolvida pensando em escalabilidade e facilidade de manutenção. Utilizei Vite como bundler pela sua extrema velocidade, React para a construção das interfaces baseadas em componentes, e TypeScript para garantir a tipagem estática e evitar bugs em produção. Para a estilização, a escolha foi o Tailwind CSS, que me permitiu construir um layout limpo, direto e totalmente responsivo.
O grande diferencial do projeto hoje é a forma como a informação é entregue. O foco principal é mostrar as propostas e compilar as ideias de cada plano de governo em um único lugar, de maneira extremamente resumida e didática. Para conseguir processar a densidade daqueles documentos políticos e extrair apenas o sumo de forma imparcial e objetiva, toda essa etapa de resumo foi feita utilizando Inteligência Artificial. A IA atuou como uma ferramenta de parsing e sumarização, lendo os calhamaços de texto e traduzindo-os em tópicos diretos para que o eleitor entenda rapidamente a posição do candidato sobre cada dor do país.
Executando os Testes Finais
As eleições não podem ser tratadas como um teste feito de qualquer jeito no fim do desenvolvimento, apenas para entregar o projeto no prazo. A mudança de rota exige de nós um senso crítico aguçado.
Convido você a acessar o Voto em Perspectiva https://voto-perspectiva-2026.vercel.app/#inicio, ler os resumos gerados, baixar os PDFs originais se quiser se aprofundar, e inspecionar as propostas reais. A escolha é sua, mas que seja feita com clareza, didática e, principalmente, em perspectiva.
Deixo aqui também o Github para verem o código fonte do projeto https://github.com/jfilhoGN/voto-perspectiva-2026.
Grande abraço.